Poesias de amor

de

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AO MEU AMOR
(de Durval Filho)

Resolvi falar sério
Num poema de amor
(Mas o universo é tão pequeno,
Embora seja tão belo)

A ti que me acalenta.
(Mesmo eu sendo um desajeitado
Lutador da causa ganha...)

Sempre te lembrarei,
(Mas para que serve o tempo
Se chove lá fora e faz frio)

Por mais que eu procure
Um meio de expressar o que sinto
(Sinto que as palavras me fogem
E com elas, tu e meu penar)

Obstáculos me atrapalham
(Minha fragilidade é tamanha
Que as forças se esvaiam...)

Inerte sem saber o que dizer
Eu calo e fico mudo, quieto.
(Gritando para dentro até estourar...)

Em pranto as lágrimas falam
(E a garganta dos olhos incha)

E por fim entendes
Que eu queria dizer: te amo.



MATEMÁTICA DOS CORAÇÕES
(de Durval Filho)

Basta de você dizer que não me quer
Se os seus olhos me dizem sim,
Os poros de sua pele me pedem
E fico a lhe tentar...
Procurando os seus lábios
Que insistem num adeus
De tudo que não teve um fim.

Somar amor!
Na matemática dos corações
Sou mais amor entre nós dois...

Basta de você resistir
Se está escrito por nós dois
Uma história de amor.
Por que tanto esperar?
Não acredito ser ilusão
De um audaz perdedor
Querer dormir ao seu lado,
Chegando ao resultado:

Somar amor!
Na matemática dos corações
Sou mais amor entre nós dois...



SEDUZIR DA CONQUISTA
(de Durval Filho)


Interessante o ímpeto dos amantes
Que sentem com intensidade
Os pequenos gestos insignificantes.

A dúvida instala morada
Assume papel importante
Desapropria a razão e
Ilumina a mente.

No seduzir da conquista
Cobra indiana
Envenena com a dança
Do rebolar de seus quadris
O inerte espectador
Que se limita
A apreciar e sonhar,
Buscando meios palpáveis
Para que se possa realizar.

O sentir é belo
Embora a tortura dos olhares
Que se cruzam no ar
E não se abraçam
Deixa a certeza duvidosa
Dos gestos tristes,
Passos apressados,
Fuga
Em direção oposta
Ao desejo.

Perseverar é inerente
Aos que realmente amam.
Pois o amor profundo
Arranca da inércia
O mais tímido

E o faz corajoso
E o faz criativo

Fazendo-o mais homem
Por ter tentado,
Fazendo-o feliz
Pela conquista.


TUDO PASSA
(de Durval Filho)

Não entendo o sofrimento,
É ruim, nós sabemos,
Mas amamos a aventura
No prazer da desilusão:
Cantando alegre a morte da paixão;
Lembrando-se da despedida;
Dos afagos carinhosos dado em vida.
Enquanto o fogo ardente consumia
E as cinzas espalhavam-se ao vento,
Saíamos correndo a ajuntá-las
Querendo o pó do sofrimento,
Dos bons momentos a relembrar.

Guardamos as lembranças no peito
Sufocando cada vez mais o coração
E este, coitado, não tem outro jeito,
Bate correndo, descompassado, insatisfeito.
Preferindo o amor às intrigas,
Um novo começar...
A morte ao constrangimento.
A favor da vida ilusória de crer
Que tudo passa, até você !!!
E os motivos desse sofrer...



UM SORRISO
(de Durval Filho)

Há tempo, inverno no coração,
Passos lentos,
Pensamentos absortos
No âmago:
Amargo sentimento de rotina.

Um sorriso abre frestas de luz
Aquecendo a inércia de então;
Vislumbrando um novo horizonte
A mostrar como passagem
Uma nova estação.

O ritmo alegre fez pulsar
Em cadência de samba
O velho coração que ainda bate,
Insistente, a procura de um alento.

Serão seus belos dentes
Que na moldura da boca sensual
Seduzem pelo enigma
De não saber ao certo
Se é por conquista
Ou simples simpatia
O belo sorriso que se ilumina.

No misterioso olhar,
De cílios fartos,
Fica escondido um segredo:
A resposta do que não foi dito
Na conversa implícita de um sorriso.



VOZ DO SILÊNCIO
(de Durval Filho)

Na hora da incerteza
A cruel voz do silêncio
Diz tudo ou quase...
Quando a boca cala
Os olhos e atitudes dizem.
A fuga mostra a dúvida
Enquanto os lábios ficam mudos.

Por trás dessa maneira de ser
Está a covardia em dizer o que sente
Ou a gentileza em querer não magoar?
Está a atitude de protelar o óbvio
Que só a nós permitimos negar!

Na hora da incerteza
A cruel voz do silêncio diz tudo...

Porém, ficam inacabadas as atitudes
E a imaginação, que às vezes se engana,
Prega peças preenchendo a fala não dita
Aumentando ainda mais a confusão.

E nisso a voz do silêncio
Fala muito... Mais que o temido
E tão natural das negações: o não.



À MUSA ELEITA
(de Durval Filho)


Não compreendo
Meus colegas poetas e músicos
Que no afã da escrita profunda
Escrevem coisas tão bonitas...

Mas que prazer é esse que sentem
Em escrever coisas tão tristes:
O amor à musa distante
Que não podem tocar nem amar;
O sofrer pelo amor já perdido,
Sem esperança de reconquistar.

Afinal, amar e sofrer
São sentimentos irmãos?
Não sei, mas peço a Deus que me dê
O amor da musa eleita;
Seus afagos e beijos
E a certeza do amor partilhado
Para juntos compormos um poema
Vivido a dois, e não, simplesmente, sonhado.



A VIDA ECLODE
(de Durval Filho)


Impulsionado pelo desejo
Oculto no peito
De não sei bem o quê.

Fui adiante
Caminhando
Em busca do querer.

Achei você
Parecida com a imagem
Envelhecida da pessoa a quem amei.

O verdadeiro sentimento
Não morre,
Adormece, mas acorda da hibernação
Com sede de meses,
À procura por satisfazer-se.

Você continua linda,
Mistérios, sonho meu...
Desejo incontido por amor...

É só começar,
Dar asas ao pensamento
Louco-libertador
De idéias e prazeres

E a vida eclode.